domingo, 16 de setembro de 2012

O fio azul da bomba relógio

Toda vez que voltamos ao passado vemos tudo o que fizemos de errado. Nós erramos em não acreditar em nós, nos preocupamos demais com a imagem de casal feliz, perdemos tempo, nós não discutíamos muito, guardávamos tudo até que um de nós estourássemos. O que aprendeu com isso ? A desarmar a bomba relógio que existia em você ?


A cada semana tínhamos uma música diferente, estranho como mudávamos de humor com toda vez que ouvíamos a música anterior. Você me dizia que me queria mais vezes, mas quando me tinha ao seu lado não aproveitava, sempre com uma desculpa na ponta de língua e uma solidão nos olhos, se arrependeu disso?

Na cama, era frágil ou assim queria ser, deixava eu cuidar de você, até que se transformava em um furacão, tudo em volta rodava e nós estávamos ali, rindo no chão. Se esse fosse o começo nós não teríamos tido um fim.

No ciclo da vida, na roda-gigante do mundo, você estava no alto e eu do lado de fora te observando, esperando que você sorrisse ou que ao menos me visse ali, em pé, como quem admira as estrelas em volta da Lua.

Quando você desceu, veio até mim falar palavras que não escutei, porque ainda continuei a olhar pra cima, ainda na esperança de te ver sorrir. Se errei ao não te perceber, foi porque um dia demorei para te ter, e nas duas chances que tivemos, uma eu joguei fora e na outra foi você.

Um comentário:

Rafael Cavinato disse...

O incrível poder das palavras. Sempre as palavras.