Procuramos sempre uma desculpa pra tudo. Uma desculpa que pudesse esconder nossas fraquezas, nossos medos, mas nem sempre conseguimos uma desculpa suficiente para enlaçar tudo, entregue como presente. Se nosso medo não consegue um confortável esconderijo, ele sente apenas medo. O medo de ter medo, de ter medo.
O quase chegou aqui ontem, procurando por você, o que devo dizer? Eu escondi suas fotos, suas cartas, suas marcas em mim. Toda vez que te vi entrar por aquela porta um novo ano se iniciava, contava segundos, pulava ondas, comia uvas, cachos. Tudo isso para sentir tudo aquilo de novo. Não queria saber mais de nada, nem nada sabia mais de mim.
Quase perdi a chave daquela porta, e novamente o quase conseguiu entrar em nossas vidas. Você desenhava pássaros e árvores, sem imaginar a conexão que isso tinha. Eu escrevia por toda parte, até mesmo sem caneta e papel. Sorria para parecer mais bonito, dormia para te imaginar me vendo dormir. Bebia para deixar brilhar o que mais chamava sua atenção.
Em todas as vezes que tomei decisões, eu quase desisti. E foi quase desistindo que tudo isso aconteceu.
Um belo dia resolvi riscar o quase da minha vida, foi assim que aprendi que o medo faz parte e fica à parte de mim, para diminuir o caminho entre a felicidade e a realidade de te ter aqui.
"As lagrimas são, quase sempre, o último sorriso do amor"
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