O céu anuncia que hoje vai chover, mas na verdade eu não me importo. Quando a chuva cair levar tudo que ainda tenha ficado, gravado no asfalto, em um tom amargo.
"Lembro de um dia em que me apresentaram à uma porta que até então estava entre-aberta. Eu a empurrei com toda minha força, procurando o que havia atrás dela. Logo observei uma luz que vinha daquela direção, e então eu morei naquela imensidão por dias e dias.
Naquela moradia me vi acordando no chão de um local que já havia visitado há muito tempo atrás, tempo em que não havia preocupação, sequer havia tristeza, incertezas e também paixão. Fixei meus olhos novamente para o que havia restado daquela porta, na esperança de retornar ao sonho que eu tinha perdido, de resgatar a oportunidade que recebi ou de brincar com o brinquedo que eu sempre havia pedido. Uma volta ao passado, não tão próximo e cada vez mais distante."
Lembra da chuva? Ela está fraca agora, mal consigo ouvir os pingos caírem no solo. Ainda é noite e sei que vai demorar para amanhecer, mas quando isso acontecer vou atravessar aquela porta lembrando de tudo que aconteceu, sem o medo ou vontade de viver tudo aquilo outra vez. Entretanto ainda há luz na porta, ainda há uma porta, o que se perdeu foi a curiosidade de criança de ir até lá ver o que tem além dela.
2 comentários:
A infância é o paraíso do medo.
Suas palavras são tão doces quanto o mel. vejo muita beleza e simplicidade, um poeta, um mestre um sábio, não pare jamais.
Parabéns.
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