domingo, 24 de janeiro de 2021

Epílogo

Letras subindo

Público aplaudindo

Quando ouve-se um apito

E uma voz no fundo que diz:

- Agora tudo de novo!

Na ponta do penhasco

A árvore tomba a direita

Transforma-se em caminho

Sem açoite do carrasco

No afogar oceânico

Destampa-se o ralo

A água escorre

E consigo todo o pânico 

E quando as palavras se calam

Um visconde habituado

Por anos condenado

A prisão de vírgulas, pontos e parágrafos

Salta das páginas virtuais

Na placenta de um novo prólogo

Não existe melhor prova

Que enfim desconstruir nos renova. 


(Semipiterno)