Tristes olhos de claridão,
virdes a mim por inteiro,
através das vielas e rugas
E no balé clássico imutável,
o céu despenca em aparato,
o dilúvio da alma, encanta
a plateia, inerte, formidável;
Disseminou o caminho pesado,
de chumbo escuro e quente,
queimavam os passos de todos,
de todos que eram gente.
***
Talvez eu tenha escrito
a poesia mais bonita,
que me leva ao infinito,
que não leva a ninguém;
Mas enquanto os pés
pretos de chumbo estiverem,
o chumbo estará sujo também,
sujo da pele de gente,
que anda, que vai e que vem.
2 comentários:
Boa noite!
Vim ao blog por indicação de um grande amigo e adorei!!
Você tem a inspiração de Drummond com a essência de Bocage. Incrível a harmonia que há em suas palavras. O mundo deveria ver isso, indicarei aos meus amigos com certeza. Um beijão. Márcia.
Um blog muito bom de poesias autonomas, você está de parabens viu.
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