domingo, 23 de outubro de 2016

Quid opus vincere bello?

Podem não achar tão incrível
Ou não querer de pé aplaudir
Se tornará um mártir quase invisível.

- Abaixar a guarda!
- Esconder os escudos!
- Será dada a largada!

Erros que latejam no lobo frontal
Que destroem a esperança humana
Retalham lentamente a espinha dorsal.

Se serei soldado, vou querer explodir
Fatos vertiginosos e que enganam
Nos fazendo concordar para coexistir.

Se serei inimigo, vou querer valorizar
A quem estiver ajoelhado a minha frente
Todos os meus dedos, um a um, apontar.

Se serei só por, mais uma vez, ser
Vou inventar desculpas para afogar
O orgulho no paladar para em só um gole beber.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Colecionador das cores do teu ser

De tantas artes que poderíamos ter
Escolhemos a mais incomum
Entrelaçar minhas raras palavras
Com a essência do teu ser
Sem que houvesse nenhum porquê
É possível explicar
Toda essa intensidade?
Não há rótulo maior
Do que não se rotular
Ultrapassar a linha
Viver dia após dia
Não saber o que encontrar
Nem mesmo o tom do batom que usará
Já que hoje completo seus passos
Para reformular os jardins
Esperar uma flor desabrochar
Decidir entre anjos e querubins
Lentamente sua armadura tirar
Ver por trás do que quer impor
Mostrar ao mundo o que
Apenas juntos fomos capazes de externar
E por tudo isso essa foi a única forma
De eternizar em mais bela arte
Que ultrapassará o tempo
E será sentida por toda parte
Só assim fará todo sentido
Laranja, rosa e amarelo misturar
E fazer brotar dentro de si
Antes de assistir a página virar
Abusar da metáfora para resumir
Tudo aquilo que ainda não conheci
Mas que aqui prometo conhecer
Mesmo que seja preciso
Outras palavras como estas escrever
Roubar de seus livros mais flores
Para tudo completar e então
Poderei eu por completo
Tuas cores colecionar.



quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Delinquência corporal

Quem sou eu para questionar
Que horas o sol vai
Que horas o sol vem
Que corpo ele vai sombrear

Em um século avançado
A cor da pele ainda
Influencia em decisões
Os corpos são assombrados

Ficou fácil repreender
A mente que certa está
Vista por dentro ou fora
Propomos tudo perder

Viva em rota circular
Não deixem intervir
Que tirem a verdade
Para manter o paladar

O corpo se afasta
Em rápida resposta
Ora a alma derrete
Ora só se desgasta.

O corpo apenas reflete
Todo apontamento
Que ora faz vestir
Ora do corpo se despe.