"... Passei minhas mãos pelos seus braços, e pude sentir por completo, para a minha tristeza, até demais. Barbantes amarravam meu objeto de desejo passional. De forma receosa evitei ao máximo olhar para cima, temia ver o que estava a controlar quem jurei de mãos juntas amar.
Decidi continuar a viver como se não houvessem amarras. Conheci um pouco mais dos seus maiores medos, em alguns até ajudei, mas confesso que em outros provavelmente parte desses medos me tornei. Porém um momento mudou tudo. Foi quando novamente tentei tocar suas mãos, mas elas se retraíram em forma de negação. Voltei a ver o barbante, mas dessa vez o vi esticado, forçando para o lado oposto ao meu. Um outro alguém tinha o controle.
Foi nesse exato momento que percebi que não poderia ser mais forte do que esse barbante, que agora se fortalecia feito um arame. Como em um ato de desafogo, peguei a tesoura, estiquei a corda e me pus a corta-la. Assim pude me distanciar, e enxergar melhor. De uma forma que antes, preso a este ser não pude avistar. O barbante que cortei estava preso a mim, e sei que eu mesmo coloquei. Mas abri mão, pois a força de quem controlava estava prestes a me levar.
Deixei ir, com pesar, mas não queria ser iludido em uma história que estivesse na eminência de a qualquer momento das minhas mãos escapar."
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