terça-feira, 6 de novembro de 2012

O menino dos olhos do mundo

Um menino no colo de sua mãe e mil questionamentos. Um mundo em volta e apenas uma pergunta se faz presente. Será que todos veem como eu ? Aparentando seis anos de idade, o menino curioso como qualquer criança não podia ouvir um barulho que perguntava o que era. O tempo inteiro com o celular nas mãos, o menino colocava o aparelho na orelha, nas mãos, nas pernas.
Sua diversão era apertar os botões e ouvir os barulhos que eles faziam. Imperceptível aos nossos olhos, aos dele também. Não por opção ou distração.

Todos o olhavam, uns pouco, uns mais e eu. Não tirei sequer um segundo os olhos daquele menino. A paz e a esperança que ele passava, a força era incondicional. Seus olhos nunca abriram, então fechei os meus. Por um segundo um filme passou na minha cabeça, não consegui distinguir seu gênero, mas foi incrível viajar com os pés no chão e ao mesmo tempo apavorante não enxergar um palmo a frente as minhas mãos.

Mas antes de sair daquele lugar, sua mãe o pressionou forte em seu peito e cantou com o intuito de deixa-lo menos agitado. Minutos não passaram e o menino levantou sua cabeça e disse:
Mãe! Ainda bem que eu posso te ouvir cantar.

Sua mãe, chorando, não responde nada, o coloca novamente em seus ombros e continua a cantar. Agora sem palavras, somente sons para que o menino não percebesse a tristeza em sua voz. E eu ali, com os pés cada vez menos fincados no chão, tive uma lição de vida. Cada gesto, cada som, cada luz deve ser apreciada como se nunca tivesse existido antes. Aprendi mais em uma hora o que demorei metade de uma vida pra aprender.

Aquele menino talvez nem tenha percebido minha presença ali, mas eu estive ali, de olhos bem abertos, pude percebe-lo bem e toda vez que eu fechar os meus olhos me colocarei em seu lugar. E se eu covardemente abrir rápido vou valorizar cada segundo que eu conseguir enxergar.

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