quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Amores relutantes

As partículas de sua pele ainda estão no meu quarto,
sentadas na beira da cama amarrando os sapatos.
O caminho não tem a mesma beleza de antes,
a volta é mais gelada do que os calores relutantes.

Os restos de prazer marcam o chão da sala
e entre miúdos e escadas, molduradas,
suas mãos deslizam e amarram algemas
de lã e linho, e assim te faz rir e me cala.

Vigiada de perto a visão noturna
de um fugitivo a espreita na janela
entreaberta aprecia de longe a valsa
de seu vestido e minha alma, descalça.

Um jogo de olhares fechados e
cabeças que apontam para o alto,
escorrem no pescoço a saliva
roubada da boca no último assalto.

Um comentário:

Anônimo disse...

Adoro quando você descreve momentos assim, com palavras doces e com o calor de um momento. Sou sua fã