sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Auto-vingativo

Essas tragédias particulares
Ovacionando os errôneos
Eventos espetaculares
Quase nunca espontâneos
Construir um erro
E com o dedo mirar
Um único receio
Em qual parte acertar
No peito a verdade
Entre as pernas anseio
Incalculável maldade
No gole um desejo
Vozes sem ruidos
O cúmulo do absurdo
Tampar os ouvidos
Para não ouvir
O meu eu-lírico
Que é um pouco de tudo
Já obrigou e quis servir
Mas que hoje é apenas mudo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O cometa mais veloz da constelação

Luz clara, sem escurecer
Do pranto vim-te sorrir
Enfim meu corpo se fez esculpir
O elo de ligação não há de desaparecer.

Os sons estranhos
Que antes não faziam sentido
Agora não me deixam mais perdido
Como as cores do seus olhos castanhos.

Guerreiros como eu
Sem armaduras, sem nada
Já com a pele dilacerada
Tomavam para si o que era seu.

Queria eu ao ápice chegar
Ver meu teto escuro embranquecer
Ter a chance do meu nome esquecer
Em cadeira de balanço aconselhar.

Mas vejo o teto no chão caído
Sinto que fui a melhor opção
Como o cometa mais veloz da constelação
Com o itinerário invertido.

Quero ser os anéis de planeta
Para equilibrar toda a velocidade
Que um dia todos cheguem a eternidade
Como quem começa meteoro e termina cometa.


domingo, 18 de dezembro de 2016

Ranger dos metais

No ritmo acelerado
De uma nação
Que ora é banhada por rios
Ora é esquecida no sertão
Como ganhar com 2 de copas
Um rei ou um valete
Sem que os pés afundem o chão?
Só sendo metade robô
Que um dia enferrujou
De água que se banhou
Em ultimato para lavar 'alma
De quem não precisava ter
Para fazer da vida, ilusão.
Sem conseguir envelhecer
Teve que reinventar e agora
Joga cartas para vencer
Ou para o futuro prever
Ainda faz chover e inunda
Mas também seca
Em uma sede profunda
Culturalmente ainda é plural
Mas não sei se os ouço bem
Não escuto os "s" no final
Ou a voz que está enfraquecida
Ou a ideologia de quem prega
A sonoridade da sociedade
De que anônima
Só a definição
Do que é pluralidade.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Disfarce de invasor

Esquisitice de ser humano
Queremos o poder de pintar o céu
Mas furtamos por baixo dos panos
Roubamos uma cor mesmo sem ter pincel
Se precisarmos conquistar
Teremos que ter nossos direitos

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Histórias marcadas

Um mundo em desaceleração
Muitos muros a escalar
Restaurar os elos mais impuros
Muito mais que fingir preocupação.

domingo, 23 de outubro de 2016

Quid opus vincere bello?

Podem não achar tão incrível
Ou não querer de pé aplaudir
Se tornará um mártir quase invisível.

- Abaixar a guarda!
- Esconder os escudos!
- Será dada a largada!

Erros que latejam no lobo frontal
Que destroem a esperança humana
Retalham lentamente a espinha dorsal.

Se serei soldado, vou querer explodir
Fatos vertiginosos e que enganam
Nos fazendo concordar para coexistir.

Se serei inimigo, vou querer valorizar
A quem estiver ajoelhado a minha frente
Todos os meus dedos, um a um, apontar.

Se serei só por, mais uma vez, ser
Vou inventar desculpas para afogar
O orgulho no paladar para em só um gole beber.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Colecionador das cores do teu ser

De tantas artes que poderíamos ter
Escolhemos a mais incomum
Entrelaçar minhas raras palavras
Com a essência do teu ser
Sem que houvesse nenhum porquê
É possível explicar
Toda essa intensidade?
Não há rótulo maior
Do que não se rotular
Ultrapassar a linha
Viver dia após dia
Não saber o que encontrar
Nem mesmo o tom do batom que usará
Já que hoje completo seus passos
Para reformular os jardins
Esperar uma flor desabrochar
Decidir entre anjos e querubins
Lentamente sua armadura tirar
Ver por trás do que quer impor
Mostrar ao mundo o que
Apenas juntos fomos capazes de externar
E por tudo isso essa foi a única forma
De eternizar em mais bela arte
Que ultrapassará o tempo
E será sentida por toda parte
Só assim fará todo sentido
Laranja, rosa e amarelo misturar
E fazer brotar dentro de si
Antes de assistir a página virar
Abusar da metáfora para resumir
Tudo aquilo que ainda não conheci
Mas que aqui prometo conhecer
Mesmo que seja preciso
Outras palavras como estas escrever
Roubar de seus livros mais flores
Para tudo completar e então
Poderei eu por completo
Tuas cores colecionar.



quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Delinquência corporal

Quem sou eu para questionar
Que horas o sol vai
Que horas o sol vem
Que corpo ele vai sombrear

Em um século avançado
A cor da pele ainda
Influencia em decisões
Os corpos são assombrados

Ficou fácil repreender
A mente que certa está
Vista por dentro ou fora
Propomos tudo perder

Viva em rota circular
Não deixem intervir
Que tirem a verdade
Para manter o paladar

O corpo se afasta
Em rápida resposta
Ora a alma derrete
Ora só se desgasta.

O corpo apenas reflete
Todo apontamento
Que ora faz vestir
Ora do corpo se despe.



segunda-feira, 26 de setembro de 2016

7/4

Tentamos muitas vezes
Atravessar as retinas dos olhos
Mesmo sem acertos e certezas
Nós nos atrevemos a seguir
Todos os lados do olhar

terça-feira, 20 de setembro de 2016

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A última dança

Prólogo

Em um tom de despedida
Sob forte sentimento 
De emoção
Estendo a minha mão
Ela deseja você
Deseja que a segure
Bem forte e 
A deixe guiar
À minha direção

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Retórica

Hoje o sol não apareceu
Não apareceu para te mostrar
A fraqueza que é sentir falta
De quem muito se faz presente

terça-feira, 9 de agosto de 2016

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Refém de quem?

Dez anos se passaram
E você ainda está sob minha mira
Envolta em meus braços
Dizendo ter vivido uma mentira.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Compatível

É um fenômeno da natureza
Rabiscar nossa história
Na minha mente, rara beleza
Antes que tudo evapore.
Um desperdício de tempo
Resgatar um corpo estirado
Sobre uma cama de vento
Enquanto comete acertos.
Meus órgãos vitais
Buscam a cada segundo você
Compreenda meus sinais
Propôs essa função exercer.
Questione o azul do céu
Quanto mais difícil
Colar um a um o pedaço de papel
Sem deixar aparecer cicatriz.
Farei teu corpo chover
Engasgar antes
De outro gole beber
Diretamente da fonte.
Enquanto teu sangue correr
E o músculo enrrijecer
Cubra a ferida, faça com que estanque
Não haverá parto para nascer.
Me faça dos erros seu doador
Não quero meus olhares esconder
A menos que sejam escondidos por você
Seja qual for a dor, não tenho mais o que perder.


terça-feira, 21 de junho de 2016

Orgulho eleito

Ontem peguei-me pensando
Revivendo outras histórias
Que aqui nesse teu leito
Hoje são mais do que vitórias.
Você dizia que muito errei
E todas as vezes não teve resposta
Não que eu não reconhecesse
Algumas vezes até concordei
Mas o que eu iria dizer estava aquem
Ou gostaria de ouvir o que te convém?

Ah se esse teu leito falasse...
Eu não seria traidor
Eu teria abrigo
Eu não seria um complicador
Eu teria a razão comigo
Eu não falharia mais
E você não mais dormiria
Nesse leito que hoje tens dormido.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

terça-feira, 10 de maio de 2016

domingo, 10 de abril de 2016

domingo, 6 de março de 2016

Eterno joule

Lembro de quando tornei-me para-raios
Tropecei lentamente em público
E as palmas calaram e ecoaram
Por todos os lados calando-se a voz.

sábado, 5 de março de 2016

Cessar fogo

Será você...
Que é sempre uma moeda ao alto jogar
Doce, leve, acidez a pele dissecar
Será você...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Teoria evolutiva dos corais

A caixa que guarda os momentos
Encontra-se atualmente vazia
Despido de lembranças
Vivo esperando a noite virar dia
Enquanto sigo com minhas andanças
Colhendo segundos de suplementos.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

12° dia

Saúdo-te pelas manhãs
Faço-te parte de minhas inspirações
Não há outras maneiras
De transformar-te em religião.